Neuropatia periférica: causas menos conhecidas além do diabetes
Quando se fala em neuropatia periférica, o diabetes costuma ser a primeira causa lembrada. De fato, o diabetes é uma das principais condições associadas ao problema, mas está longe de ser a única.
Milhares de pessoas apresentam sintomas como formigamento, dormência, queimação e perda de sensibilidade sem saber que podem estar desenvolvendo uma neuropatia relacionada a outras doenças, deficiências nutricionais ou até mesmo hábitos de vida.
Conhecer as causas menos conhecidas da neuropatia periférica é fundamental para buscar diagnóstico precoce e tratamento adequado.
O que é neuropatia periférica?
A neuropatia periférica é uma condição que ocorre quando os nervos periféricos sofrem algum tipo de lesão ou comprometimento.
Esses nervos são responsáveis por transmitir informações entre o cérebro, a medula espinhal e o restante do corpo.
Quando são afetados, podem surgir alterações relacionadas à sensibilidade, força muscular e controle dos movimentos.
Quais são os sintomas da neuropatia periférica?
Os sintomas variam conforme os nervos atingidos e a gravidade da lesão.
Os mais comuns incluem:
- Formigamento nas mãos ou pés;
- Dormência;
- Sensação de queimação;
- Choques ou pontadas;
- Perda de sensibilidade;
- Fraqueza muscular;
- Dificuldade para caminhar;
- Alterações do equilíbrio;
- Cãibras frequentes.
Em muitos casos, os sintomas começam de forma leve e progressiva.
O diabetes é a única causa de neuropatia?
Não.
Embora a neuropatia diabética seja bastante frequente, existem diversas outras condições que podem provocar danos aos nervos periféricos.
Em alguns pacientes, inclusive, a neuropatia surge antes mesmo do diagnóstico da causa responsável.
Deficiência de vitamina B12
Uma das causas menos conhecidas e relativamente comuns de neuropatia periférica é a deficiência de vitamina B12.
Essa vitamina desempenha um papel essencial na manutenção e proteção dos nervos.
Quando seus níveis estão baixos, podem surgir sintomas como:
- Formigamento;
- Dormência;
- Alterações da marcha;
- Fraqueza;
- Problemas de memória em alguns casos.
Idosos, vegetarianos estritos e pessoas com doenças que afetam a absorção intestinal apresentam maior risco.
Consumo excessivo de álcool
O uso crônico e excessivo de bebidas alcoólicas pode causar lesões nos nervos periféricos.
Além do efeito tóxico direto do álcool, muitas pessoas desenvolvem deficiências nutricionais que agravam o problema.
Os sintomas costumam incluir:
- Queimação nos pés;
- Dor neuropática;
- Perda de sensibilidade;
- Fraqueza muscular.
Doenças autoimunes
Algumas doenças autoimunes podem levar o sistema imunológico a atacar estruturas nervosas.
Entre elas estão:
- Lúpus;
- Síndrome de Sjögren;
- Artrite reumatoide;
- Vasculites.
Nesses casos, a neuropatia pode ser um dos primeiros sinais da doença.
Hipotireoidismo
O funcionamento inadequado da tireoide também pode afetar os nervos periféricos.
Pacientes com hipotireoidismo podem apresentar:
- Formigamento;
- Dormência;
- Fraqueza muscular;
- Lentidão dos movimentos;
- Cansaço excessivo.
O tratamento da alteração hormonal costuma contribuir para a melhora dos sintomas.
Doença renal crônica
A insuficiência renal pode levar ao acúmulo de substâncias tóxicas no organismo, afetando o funcionamento dos nervos.
Essa condição é conhecida como neuropatia urêmica e costuma ocorrer em estágios mais avançados da doença renal.
Infecções
Algumas infecções podem provocar inflamação ou lesão dos nervos periféricos.
Entre os exemplos mais conhecidos estão:
- Herpes-zóster;
- HIV;
- Hepatites virais;
- Doença de Lyme, em regiões onde ela ocorre.
Dependendo do caso, os sintomas podem persistir mesmo após o controle da infecção.
Uso de determinados medicamentos
Alguns medicamentos podem apresentar toxicidade para os nervos periféricos.
Isso pode ocorrer principalmente com:
- Certos quimioterápicos;
- Alguns antibióticos;
- Medicamentos específicos utilizados em tratamentos prolongados.
O acompanhamento médico é fundamental para identificar precocemente possíveis efeitos colaterais.
Exposição a substâncias tóxicas
O contato frequente com determinadas substâncias químicas também pode causar neuropatia.
Entre elas estão:
- Metais pesados;
- Solventes industriais;
- Produtos químicos específicos.
O risco é maior em determinadas atividades profissionais sem proteção adequada.
Quando a causa não é identificada
Em alguns pacientes, mesmo após investigação detalhada, não é possível determinar a origem da neuropatia.
Nesses casos, a condição recebe o nome de neuropatia periférica idiopática.
Embora a causa permaneça desconhecida, o tratamento continua sendo importante para controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida.
Quando procurar um neurologista?
A avaliação neurológica é recomendada sempre que surgirem sintomas persistentes relacionados aos nervos periféricos.
Procure um neurologista se você apresentar:
- Formigamento frequente;
- Dormência nas mãos ou pés;
- Sensação de queimação;
- Perda de sensibilidade;
- Fraqueza muscular;
- Dificuldade para caminhar;
- Alterações do equilíbrio.
O diagnóstico precoce aumenta as chances de identificar a causa e evitar a progressão das lesões nervosas.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação geralmente envolve:
- Avaliação clínica detalhada;
- Exame neurológico;
- Exames de sangue;
- Eletroneuromiografia;
- Exames de imagem, quando necessários.
A identificação da causa é uma etapa essencial para definir o tratamento mais adequado.
Nem toda neuropatia está relacionada ao diabetes
Embora o diabetes seja uma causa importante de neuropatia periférica, muitas outras condições podem estar envolvidas. Deficiências vitamínicas, doenças autoimunes, alterações hormonais, infecções e até hábitos de vida podem provocar danos aos nervos periféricos.
Por isso, sintomas como formigamento, dormência e perda de força nunca devem ser ignorados. A avaliação com um neurologista permite investigar a origem do problema e iniciar o tratamento adequado o quanto antes, contribuindo para preservar a função nervosa e a qualidade de vida.
15 de Junho de 2026
