Epilepsia: mitos e verdades sobre um dos distúrbios neurológicos mais comuns
A epilepsia é um dos distúrbios neurológicos mais frequentes no mundo, mas ainda é cercada por dúvidas, preconceitos e informações incorretas.
Muitas pessoas acreditam que toda crise epiléptica provoca convulsões intensas ou que a doença impede uma vida normal — afirmações que nem sempre são verdadeiras.
Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, grande parte das pessoas com epilepsia consegue controlar as crises e manter uma rotina ativa.
O que é epilepsia?
A epilepsia é uma doença neurológica caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas recorrentes, causadas por alterações temporárias na atividade elétrica do cérebro.
Essas crises podem se manifestar de diferentes formas, dependendo da região cerebral afetada, e nem sempre envolvem perda de consciência ou movimentos involuntários.
Quais são os sintomas da epilepsia?
As crises epilépticas variam de uma pessoa para outra. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Convulsões;
- Perda temporária da consciência;
- Movimentos involuntários dos braços ou pernas;
- Olhar fixo por alguns segundos;
- Sensações estranhas, como formigamentos ou cheiros inexistentes;
- Confusão mental após a crise.
Por isso, qualquer episódio suspeito deve ser avaliado por um neurologista.
Mito ou verdade?
Mito: Toda crise epiléptica provoca convulsão
Nem toda crise de epilepsia é convulsiva.
Algumas pessoas apresentam apenas episódios breves de ausência, alterações da percepção, movimentos automáticos ou perda momentânea do contato com o ambiente.
Esses episódios podem passar despercebidos, dificultando o diagnóstico.
Verdade: A epilepsia pode acontecer em qualquer idade
Embora muitas pessoas recebam o diagnóstico na infância, a epilepsia pode surgir em qualquer fase da vida.
Em idosos, por exemplo, ela pode estar relacionada a doenças como AVC, traumatismos cranianos ou doenças neurodegenerativas.
Mito: Quem tem epilepsia não pode praticar exercícios físicos
Na maioria dos casos, a prática de atividade física é recomendada e pode trazer benefícios para a saúde física e mental.
Entretanto, algumas modalidades exigem avaliação individualizada, especialmente esportes com maior risco em caso de crise, como mergulho, escalada ou natação sem supervisão.
O neurologista poderá orientar quais atividades são mais seguras.
Verdade: A maioria das pessoas consegue controlar as crises com tratamento
Atualmente, existem diversos medicamentos capazes de controlar as crises epilépticas. Quando o tratamento é seguido corretamente, muitas pessoas permanecem anos sem apresentar novas crises.
Em alguns casos específicos, outras abordagens, como cirurgia para epilepsia, estimulação do nervo vago ou dietas especiais, podem ser indicadas.
Mito: Durante uma convulsão é preciso colocar um objeto na boca da pessoa
Esse é um dos mitos mais perigosos.
Nunca se deve colocar objetos, alimentos, líquidos ou tentar segurar a língua de alguém durante uma crise convulsiva. Essa atitude pode provocar lesões na boca, nos dentes e aumentar o risco de engasgo.
O que fazer durante uma crise convulsiva?
Se uma pessoa apresentar uma crise convulsiva:
- Mantenha a calma;
- Afaste objetos que possam causar ferimentos;
- Proteja a cabeça com um objeto macio, se possível;
- Coloque a pessoa de lado após a crise, para facilitar a respiração;
- Afrouxe roupas apertadas ao redor do pescoço;
- Observe quanto tempo a crise dura.
Não tente conter os movimentos nem introduza qualquer objeto na boca.
Quando chamar o serviço de emergência?
Procure atendimento imediatamente se:
- A crise durar mais de cinco minutos;
- Houver crises repetidas sem recuperação entre elas;
- A pessoa apresentar dificuldade para respirar após a crise;
- A convulsão ocorrer na água;
- Houver ferimentos importantes;
- For a primeira crise da vida.
Quais são as causas da epilepsia?
A epilepsia pode ter diferentes origens. Entre as principais causas estão:
- Predisposição genética;
- Traumatismo craniano;
- Acidente vascular cerebral (AVC);
- Tumores cerebrais;
- Infecções do sistema nervoso;
- Malformações cerebrais;
- Alterações ocorridas durante o desenvolvimento do cérebro.
Em muitos pacientes, no entanto, a causa exata não é identificada.
Como é feito o diagnóstico?
O neurologista realiza uma avaliação clínica detalhada e pode solicitar exames como:
- Eletroencefalograma (EEG);
- Ressonância magnética do cérebro;
- Tomografia computadorizada;
- Exames laboratoriais, quando necessário.
Esses exames ajudam a identificar o tipo de epilepsia e orientar o tratamento.
Existe cura para a epilepsia?
Em alguns casos, especialmente quando a causa pode ser tratada, a epilepsia pode deixar de causar crises.
Além disso, muitos pacientes conseguem permanecer sem crises por vários anos com o tratamento adequado e, em situações específicas, podem até interromper os medicamentos sob orientação médica. Por isso, o acompanhamento regular com o neurologista é fundamental.
É possível ter qualidade de vida com epilepsia?
Sim. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento médico, a maioria das pessoas com epilepsia pode estudar, trabalhar, praticar atividades físicas e ter uma vida ativa.
O mais importante é seguir corretamente o tratamento, evitar a interrupção dos medicamentos por conta própria e comparecer às consultas de acompanhamento.
Conclusão
A epilepsia é uma doença neurológica comum, mas ainda cercada por muitos mitos. Conhecer os sintomas, saber como agir durante uma crise e buscar atendimento especializado são atitudes fundamentais para reduzir preconceitos e garantir um tratamento eficaz.
Se você ou alguém próximo apresentou uma crise convulsiva ou episódios suspeitos, procure um neurologista. O diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença no controle da doença e na qualidade de vida.
08 de Julho de 2026
